quarta-feira, 28 de março de 2012

A Libertação da Borboleta




A doutora Elisabeth Kübler-Ross, psiquiatra de origem suíça, especializou-se em doentes terminais.

Assistindo centenas de crianças que estavam morrendo, ela nos diz que devemos aprender a ouvir.

Ouvir o que a criança expressa verbalmente. E mesmo aquilo que ela transmite pela linguagem não verbal.

Crianças terminais, conta ela, sabem quando vão morrer. E precisam de algum atendimento especial. Atendimento que só o amor incondicional pode dar.

Falando de sua experiência, narra que conheceu um menino que aos nove anos se encontrava à beira da morte.

Portador de câncer, desde os 3 anos de idade, Jeffy nem conseguia mais olhar para as agulhas de injeção.

Tudo era doloroso para ele. No hospital, esperava a morte. O médico sugeriu que se iniciasse uma nova quimioterapia.

Mas o menino pediu: "quero ir para casa, hoje."

Os pais optaram por lhe satisfazer a vontade.

Quando Jeffy chegou em casa, pediu ao pai que descesse da parede da garagem a sua bicicleta.

Durante muito tempo, seu sonho tinha sido andar de bicicleta. O pai a comprou, mas por causa da doença ele nunca pode andar.

A dificuldade era imensa, até mesmo para se manter em pé, então Jeffy pedalou a bicicleta com o amparo das rodinhas auxiliares.

Disse que iria dar uma volta no quarteirão e que ninguém o segurasse. Ele desejava fazer aquilo sozinho.

A médica que o acompanhava, a mãe e o pai ficaram ali, um segurando o outro. A vontade era de segui-lo.

Ele era uma criança muito vulnerável. Poderia cair, se machucar, sangrar.

Ele se foi. Uma eternidade depois, ele voltou, o homem mais orgulhoso que se possa ter visto um dia.

Sorria de orelha a orelha. Parecia ter ganho a medalha de ouro nas olimpíadas.

Sereno, pediu ao pai que retirasse as rodinhas auxiliares e levasse a bicicleta para seu quarto. E quando seu irmão chegasse, era para ele subir para falar com ele.

Queria falar com o irmão a sós. Tudo aconteceu como ele pediu.

Ao descer, o irmão recusou-se a dizer aos pais o que haviam conversado.

Uma semana depois, Jeffy morreu. E, na semana seguinte, era o aniversário do irmão. Foi aí que o menino contou o que tinha acontecido naquele dia.

Jeffy dissera a ele que queria ter o prazer de lhe dar pessoalmente sua amada bicicleta.

Mas não podia esperar mais duas semanas, até o aniversário dele, porque então já teria morrido.

Por isso, a dava agora. Entretanto, havia uma condição: que ele nunca usasse aquelas rodinhas auxiliares, próprias para crianças bem pequenas.

Quando os pais souberam de tudo, sentiram muita tristeza. Uma tristeza sem medo, sem culpa, sem lamentar.

Eles tinham a agradável lembrança do filho dando a sua volta de bicicleta pelo quarteirão.

E mais do que isso: o sorriso feliz no rosto de Jeffy, que foi capaz de conseguir sua grande vitória em algo que a maioria encara como comum.

***

Dizemos que uma pessoa é como o casulo de uma borboleta. O casulo é o que ela vê no espelho. É apenas uma morada temporária do ser imortal.

Quando esse casulo fica muito danificado, o ser o abandona.

É como a borboleta que se liberta do casulo.

Deixar o ser amado partir sereno, só é possível aos corações que amam de forma incondicional e verdadeira.


fonte: reflexao.com

quarta-feira, 21 de março de 2012

É Proibido...







É Proibido...
chorar sem aprender.
Levantar-se um dia sem saber o que fazer.
Ter medo das suas lembranças.
Não rir dos problemas.
Não lutar pelo que se quer.
Abandonar tudo por medo.
Não transformar sonhos em realidade.
Não demonstrar amor.
Fazer com que alguém pague pelas tuas dúvidas e mau humor.
É Proibido... deixar os amigos e só chamá-los somente quando necessita deles.
Não seres tu mesmo diante das pessoas.
Fingir que elas não te importam.
Ser gentil só para que se lembrem de ti.
Esquecer aqueles que gostam de ti.
Não fazer as coisas por ti mesmo.
Ter medo da vida e dos seus compromissos.
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.
É Proibido... sentir saudades de alguém sem se alegrar.
Esquecer os seus olhos, o seu sorriso, só porque os vossos caminhos se desencontraram.
Esqueceres o teu passado e pagá-lo com o teu presente.
Não tentar compreender as pessoas.
Não saber que cada um tem o seu caminho e a sua sorte.
Deixar de dar graças a Deus pela tua vida.
Não ter um momento para quem necessita de ti.
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.
É Proibido... não buscar a felicidade.
Não viveres a tua vida com uma atitude positiva.
Não pensares que podemos ser melhores...



Pablo Neruda

quarta-feira, 14 de março de 2012

Quando me amei de verdade...



Quando me amei de verdade,
compreendi que em qualquer circunstância,
eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato.
E, então, pude relaxar.
Hoje sei que isso tem nome... Auto-estima.

Quando me amei de verdade, pude perceber que a minha angústia,
meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que
estou indo contra as minhas verdades.
Hoje sei que isso é... Autenticidade.

Quando me amei de verdade, parei de desejar que a
minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.
Hoje chamo isso de... Amadurecimento.

Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é
ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo.
Hoje sei que o nome disso é... Respeito.

Quando me amei de verdade, comecei a me livrar de tudo
que não fosse saudável ... Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo.
De início, minha razão chamou essa atitude de egoísmo.
Hoje sei que se chama... Amor-próprio.

Quando me amei de verdade, deixei de temer meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, Abandonei os projetos megalômanos de futuro.
Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo.
Hoje sei que isso é... Simplicidade.

Quando me amei de verdade, desisti de querer ter sempre razão e, com isso, errei muito menos vezes.
Hoje descobri a... Humildade.

Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo
o passado e de me preocupar com o Futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece.
Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é... Plenitude.

Quando me amei de verdade, percebi que a minha mente
pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando eu a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.
Tudo isso é.... SABER VIVER ! ! ! ! ! ! ! ! ! !

Não devemos ter medo dos confrontos...
Até os planetas se chocam e do caos nascem as estrelas.


(Charles Chaplin)


quinta-feira, 8 de março de 2012

O Princípio Feminino - Especial Dia Internacional da Mulher


O Princípio Feminino





A emergência do feminino no nível do espírito.
Crescimento pessoal e desenvolvimento humano talvez sejam dois dos mais populares estandartes que se agitam na brisa do alvorecer do século 21. Então, o que há de novo? Não são estas as duas velhas castanhas que a humanidade tem mastigado através da história? Essas questões podem, de fato, ser as mesmas, mas a novidade é a emergência de uma parte suprimida da dinâmica humana que pode ser chamada de princípio feminino. Esse princípio não é uma crença preconceituosa na superioridade ou inferioridade de um grupo comparado a outro. Nem procura substituir o chauvinismo masculino pelo chauvinismo feminino. O seu objetivo é permitir o florescimento de uma personalidade completa e equilibrada que é ao mesmo tempo vigorosa e serena numa era de luz e poder.
O princípio feminino é uma energia sutil, a qual tem permanecido desconhecida na psique de ambos, homens e mulheres. Ela está imersa na essência de nossa identidade espiritual e é distinguida por qualidades atribuídas ao lado mais gentil do ser humano – acolhimento, respeito, confiança, paciência, lealdade, amor, honestidade, empatia e misericórdia. Quando esse princípio é entendido e percebido, torna-se uma força tão poderosa que nos desperta para novas realidades e nos realinha ao verdadeiro propósito e significado da vida. Ambos, homens e mulheres, possuem esse princípio feminino, mas ao longo da história frequentemente tem sido igualado à emoção, fraqueza e vulnerabilidade. Contudo, no contexto de questões sociais, econômicas e políticas, esse princípio é retirado da via principal do desenvolvimento para uma estagnação e, então, rotulado como “questões femininas”.



O princípio feminino foi, com isso, controlado e oprimido pela mão-de-ferro do poder patriarcal, o qual quase invariavelmente demandou nada menos que o sacrifício da intuição no altar da rígida lógica, a supressão da gentileza em nome da força bruta, e a complacência das mulheres com o domínio dos homens.
Se os problemas que têm surgido pela repressão e controle desse princípio devem ser corrigidos de modo que ele permaneça, então, isso deve ser feito através de uma mudança da consciência ao invés de uma troca de posições, papéis: uma mudança de consciência que nasce de uma base espiritual e não de uma base de sexualidade. O princípio feminino, esse potencial sutil e desconhecido que está no centro do nosso ser, precisa agora ser percebido para restabelecer um equilíbrio entre intelecto e intuição, fatos e sentimentos, razão e realismo.
Na beira do novo milênio, no meio do mais turbulento dos tempos, o princípio feminino é a primavera clara e serena que pode dar vida ao árido deserto da humanidade; a água sagrada para se extrair o propósito e o significado.




As Lições Vêm Do Passado


Olhando para trás, no século 20, alguém pode dizer que o progresso das mulheres foi lento e laborioso, pois até os anos 60, as mulheres eram mais conhecidas por seus papéis como esposas, mães, irmãs, enfermeiras e secretárias. Conforme os movimentos de libertação das mulheres afirmavam que os direitos humanos também pertenciam às mulheres, a comunidade internacional respondeu com uma série de conferências de mulheres que contribuíram aos grandes progressos feitos em colocar as questões femininas em destaque na agenda global. Ainda assim, a maioria das mulheres que lideraram a reivindicação das posições que elas mereciam no mundo fez isso às custas do princípio feminino, e ficaram ou presas no jogo de poder da sexualidade ou alcançaram suas posições somente por desenvolverem um controle de mão-de-ferro sobre os outros. Enquanto tais medidas eram sem dúvida bem-sucedidas a grosso modo, qualquer mulher que tem de comprometer-se sobre quem ela é, e conscientemente ou inconscientemente negando a si mesma acesso à fonte de sua própria força, irá cedo ou tarde sucumbir à armadilha de explorar, manipular e discriminar os outros – os muitos males que ela procurava dissipar. Privada da força que vem de dentro, essas são as únicas ferramentas disponíveis a uma pessoa vivendo fora das fronteiras do seu próprio ser.



As mulheres do século 20 serão lembradas como pioneiras de um caminho duro e perigoso para a liberdade e liberação. Seus esforços trouxeram rupturas fenomenais e ensinaram lições significativas. O ponto de partida foi orientado para a ação e influenciado por características associadas ao hemisfério esquerdo do cérebro – coragem, determinação, força de vontade e advocacia. O resultado foi a formação de uma rede internacional de organizações femininas e grupos, cujos dedos estão no pulso de mudanças políticas, sociais e econômicas, e quem sabe o quanto isso impactou as vidas de mulheres por todo o mundo. Confrontadas com o paradoxo de algum sucesso material e profissional, mas muito pouco preenchimento emocional e espiritual, tais mulheres continuaram a sentir um certo esgotamento interior e uma falta de autovalor e auto-estima. Reconhecendo que o avanço das mulheres era uma tarefa árdua, um todo de muitas partes, tornou-se evidente que progresso externo deveria ser nutrido por crescimento interno. Logo, programas de autodesenvolvimento e crescimento pessoal começaram a espalhar-se rapidamente. Conferências, seminários e fóruns foram substituídos por diálogos, discussões e conversações. A lição significativa aprendida foi a paciência em acreditar que o que quer que tenha acontecido foi parte de um processo que levaria a um resultado bem-sucedido e à redescoberta de características tais como intuição, criatividade, espiritualidade, nutrição, sustento, acolhimento, amor e compaixão. Essa mudança na consciência tornou-se a espinha dorsal de suas histórias.








A Visão Vem Da Antevisão



As mulheres do século 20 desenvolveram pautas e estabeleceram padrões para as mulheres do século 21 perseguirem e continuar desenvolvendo. O princípio feminino, que veio para ser visto como a luz no fim do túnel nos últimos anos do século 20 se tornará um modo natural de ser no futuro. Confiança, respeito e sabedoria estarão no coração da liderança autêntica de mulheres e homens; integridade e altos padrões morais irão sustentar tudo isso. O poder não estará mais nas mãos de outros que tomam decisões por nós, mas dentro do coração de cada um de nós. Como líderes naturais, lideraremos a partir do centro de nossa força interna e seguiremos nossos próprios princípios internos, consciência e verdade, enfim, criando nossas próprias disciplinas.


O fato de que toda criança tem o direito a participar integralmente em todas as áreas da sociedade e à igualdade de oportunidade será uma parte integrante da consciência e atitudes de mulheres responsáveis para o crescimento e desenvolvimento das crianças. Essas guardiãs do futuro da humanidade vão assegurar que o valor de um indivíduo não seja determinado pelo gênero e vão doar o amor e respeito com os quais o verdadeiro “eu” de cada pessoa jovem possa florescer. Numa extensão maior, está nas mãos das mulheres conduzir um processo que vai resgatar a nós e às gerações futuras de sermos restringidos por atitudes discriminatórias, padrões abusivos de comportamento físico e emocional, e das limitações que possivelmente temos colocado em nós mesmos. Essa será a condição sine qua non de nossa liberdade final.




A Sabedoria Vem Da Visão Interior

“Quem sou eu, sempre mantendo um olho no ‘eu’?”. Na confluência dos dois milênios, uma das inseguranças mais desafiadoras a ser vencida é aquela sentida pelas pessoas com relação a elas mesmas – a questão: Quem sou eu?
Ao usar o princípio feminino como a premissa para explorar esse mistério, podemos embarcar em nossa jornada de descoberta de uma perspectiva de fé em si. Somos freqüentemente relutantes em olhar dentro de nós mesmos porque não temos a segurança de ficar face a face com a pessoa que nós mais tememos – nosso verdadeiro “eu”.
O conhecimento espiritual dá um nível mais profundo de entendimento que pode remover o medo do desconhecido e abrir a porta para a visão interior. A visão interior dá clareza espiritual para reconhecer o “eu” e a força interior para aceitá-lo, incluindo nossas limitações atuais. A visão interior também serve como um holofote com o qual podemos ver através das camadas de limitações que adquirimos por enfatizar os aspectos temporários ou físicos de nossa identidade e com o qual podemos focar na percepção de nossa identidade original e eterna – “Quem eu sempre sou”.



Identificar-me com o eu interior é o método de libertar-me dos confinamentos e restrições das limitações físicas. Fé em mim mesmo eleva e diviniza o meu intelecto e abre meu terceiro olho da sabedoria. Esse é o tipo de fé que cria confiança e me dá coragem para aceitar o passado, apreciar o presente e criar o futuro que eu quero. Essa é a sabedoria que as mulheres devem incorporar. Essa sabedoria nasce da profundidade de uma consciência espiritual e tem sido lembrada como shakti – força de vontade recebida diretamente de Deus. Tal sabedoria, quando colocada na ação, tem um efeito verdadeiramente transformador em nossas vidas e nas vidas daqueles que estão à nossa volta, trazendo integração com integridade.
Usar o princípio feminino para trazer essa integração com integridade é a ferramenta mais poderosa a nosso dispor. Torna-se crucial a prática de retrair-se à identidade original e lembrar “Quem eu sempre sou?”, conforme desempenhamos nossos diferentes papéis e honramos nossas diversas responsabilidades. Isso nos posiciona em nosso assento de auto-respeito. Quando nossas habilidades internas sutis são integradas a todo nosso ser e podem ser expressas com o suporte do auto-respeito, as ações são desempenhadas com um alto nível de integridade.



O princípio feminino tem sido frequentemente confundido com feminilidade num nível físico, assim como respeito à beleza interior tem freqüentemente dado lugar a uma obsessão com uma beleza que não conhece nada além da profundidade da pele. O valor das mulheres vem das qualidades originais e inatas da alma: verdade, amor, pureza, alegria, e paz, e é desses valores que a beleza feminina é derivada e irradiada através de suas feições. Acreditar na beleza do valor inato de alguém e ver o eu no contexto dessa realidade eterna, ao invés de somente a aparência física transitória, dá um impulso tremendo à auto-estima e autoconfiança de alguém.


Sentir é uma característica humana básica, mesmo quando ela vem para expressar nossos sentimentos num relacionamento particular, nossa paixão por uma tarefa ou admiração por uma peça de arte ou música, frequentemente nós ou nos excedemos e perdemos nosso senso crítico ou nos reprimimos com o medo de sermos rejeitados ou de sermos emocionais demais. Algo em algum lugar deu errado com os sentimentos e, portanto, precisamos entender profundamente o que realmente os sentimentos são. Os sentimentos estão relacionados a motivos, intenções, desejos e expectativas, e eu posso controlar o modo como me sinto quando estou em contato com isso. Sou fortalecido quando meus sentimentos são baseados na força daquilo que é verdade para mim e vem do respeito e confiança em mim mesmo. Sou enfraquecido quando permito que influências externas criem dúvidas e medos ao modo como me sinto, induzindo-me a olhar externamente para validar meus próprios sentimentos. Olhar para fora de mim é uma maneira de permitir ondas de vitimização, incerteza e insegurança, e então os sentimentos são freqüentemente reprimidos e nunca encarados. Essa repressão dos sentimentos leva à depressão, dado que sou incapaz de confiar em meus próprios sentimentos e fico relutante em falar sobre eles, receando ser mal-entendido, criticado ou rejeitado. Permanecer perto da minha própria verdade, valores inatos e força interior possibilita-me confiar em meus sentimentos. Sou responsável pelo modo como me sinto e tenho a capacidade para remover quaisquer sentimentos dolorosos e criar sentimentos puros no lugar deles.



A capacidade de construir é a arte de equilibrar sentimento com razão. Esse equilíbrio é especialmente necessário em áreas como confiança, honestidade, lealdade e amor. A razão me diz que quando começo a cultivar e nutrir quaisquer desses valores, minhas próprias inseguranças, medos e dúvidas surgirão para testar a força do meu comprometimento e aumentar minha capacidade. Cada teste tem um benefício imerso nele. O que precisa ser entendido durante essas batalhas é que eu não devo diminuir minha capacidade em confiar apenas porque alguém trai essa confiança, ou minha capacidade em ser honesto apenas porque alguém mente para mim. É tão fácil ser influenciado pelo comportamento de outra pessoa e internalizar suas fraquezas de modo que me faça perder a fé em minha própria capacidade e oscilar em estar alinhado com meus próprios valores. Isso é onde o espaço é requerido para manter saúde e relacionamentos duradouros, e não tornar-se tão enrolado em outro, de modo que eu perca toda a noção de quem eu sou. Esse recuo para manter minha própria independência e integridade nutre meu crescimento e aumenta minha capacidade de exercitar a liberdade de escolha ao invés de sucumbir ao puxão das influências externas ou às expectativas dos outros.





Foi observado que a intuição feminina guia a habilidade de tomar decisões das mulheres, quase como um sexto sentido. Entretanto, intuição por si só não é suficiente para uma tomada de decisão efetiva. Somente quando os motivos são claros e isentos de desejos egoístas que a intuição pode dar sinais evidentes para ajudar a tomar decisões objetivas. Essas habilidades sutis devem ser aplicadas ou expressas em relação a fatos e não à fantasia ou imaginação. Andar sobre a corda bamba da vida diária pode também desafiar nossa habilidade de tomar decisões com integridade. Por isso é tão importante manter periodicamente um “olho” no “eu” para ver se minhas ações, palavras, pensamentos e valores estão alinhados com meus princípios. Se eles não estão, nós devemos usar nosso senso de autovalor para nos permitir adiar a decisão e, se eles estão, então o alinhamento nos dá a autoridade para nos posicionarmos, tomar a decisão e nos comprometer com ela.
Dentro do coração da alma humana, um mundo novo está esperando para nascer. O presente que nós podemos, e devemos, oferecer – a nós mesmos e a cada um – é reacender dentro de nós a chama do princípio feminino e então manter essa chama brilhando forte e estável em nossas almas, sustentando-a com o óleo de sentimentos puros, fé e determinação. Um compromisso de viver por esse princípio é um compromisso para acender o espírito do século 21 nos corações de toda a humanidade. Se eu não assumir esse compromisso, quem o fará?


Por Gayatri Naraine

Biografia da autora: Gayatri Naraine é a representante da Brahma Kumaris nas Nações Unidas em Nova York. Este artigo (copyright 1998, por Gayatri Naraine) constou no “The Fabric of the Future – Women Visionaries Illuminate the Path to Tomorrow”, editado por M. J. Ryan, e publicado por Conari Press, Berkeley, Califórnia. Escrito há oito anos, o artigo ainda é, atualmente, indispensavelmente relevante.